Para uma atividade da pós-graduação, a professora pediu que respondessemos algumas perguntas relacionadas aos Jogos Olímpicos. Fiz a atividade e achei interessante em divulgar o que escrevi. Foi uma relação sobre geopolítica, recursos para os atletas, momentos históricos e análises.
A atividade foi responder essas perguntas: Faça um resumo sobre o surgimento das olimpíadas contextualizando sua importância geopolítica. Relacione os países que já sediaram os jogos.
Quais as principais conquistas do Brasil nos jogos olímpicos desde que o país
começou a participar da competição?
Faça um resumo dos principais fatos que marcaram as olimpíadas de 2016 realizadas no Rio de Janeiro, destacando: qual foi o resultado de medalhas para o Brasil e qual o legado deixado para a cidade e o país.
Faça uma análise sobre os investimentos públicos e privados nos esportes olímpicos e o que seria necessário para que o Brasil pudesse ter maior destaque nas modalidades esportivas das quais participa.
O maior evento esportivo do mundo são as Olímpiadas. Criadas a mais de dois mil anos, ou pelos menos a partir de 776 a.c, ano em que os atletas vencedores começaram a ter seus nomes registrados na Grécia antiga. Em constante guerra, houve um acordo, uma trégua entre os reis do país, para que houvesse paz entre os jogos, pelo menos. Assim vem a importância da Geopolítica. Havia relações de poder diferentes entre os estados da Grécia, mas em função dos jogos, deixaram de lado qualquer coisa para sediar os jogos e ter um pouco de paz entre os povos. É isso que até hoje os Jogos Olímpicos frisa e busca continuar passando, paz entre os povos.
A primeira Olímpiada da Era Moderna foi em Atenas, lá em 1896. Foram atletas de cerca de 14 países e 241 atletas. Uma correlação entre os jogos de 1896 e os de Tóquio em 2021 são os números de participantes. Neste ano, foram 203 países participantes. Muitos países levam um número maior de atletas, como os Estados Unidos que levaram cerca de 613 atletas, o Brasil levou 302. Há uma grande mudança. Os jogos englobaram vários continentes e seus atletas. Claro que tiveram países com um ou dois competidores, mas a cada quatro anos, os números aumentam. Tem também os atletas refugiados, que são selecionados pelo COI para participar dos jogos, foram 35 atletas.
Os Jogos Olímpicos também não são só flores. Há conflitos em vários países, e isso foi sentido durante os jogos. Sabemos que em 1916, 1940 e 1944, os jogos foram interrompidos por causa das Guerras Mundiais. E quem não lembra do que ocorreu na Vila Olímpica em 1972, quando atletas israelenses foram mortos por atiradores palestinos. Os atletas foram homenageados na cerimônia de abertura em Tóquio, em 2021. Outro episódio que ocorreu nessa Olímpiada, foi a desistência de um atleta Argelino no Judô. O atleta da Argélia, Ferthi Nourine se recusou a lutar contra o Israelense Tohar Butbul por causa de conflitos políticos entre a Argélia e Israel. Localizada no norte da África, a Argélia é um país árabe, onde o governo não reconhece o estado de Israel, assim como outros países de maioria islâmica. E essa não foi a primeira vez nos jogos que isso ocorre. Em 2016, no Rio de Janeiro quando um judoca do Egito se recusou a cumprimentar um Israelense, Or Sasson após a luta.
Um detalhe relacionando as Olímpidas com a geopolítica ou o poder dos estados. Os Estados Unidos fizeram seu próprio quadro de medalhas quando viram que a China liderava o quadro após quatro dias de disputas no Japão. Essa é uma polêmica que vem sempre ocorrendo. E isso se dá pois, o COI coloca na frente o país que tem mais medalhas de ouro, já a imprensa americana gosta de colocar o total de medalhas. Em Pequim, a polêmica ganhou força devido à rivalidade com a China. Pelos critérios do COI, os asiáticos “venceram” o evento, com 48 ouros, contra 36 dos Estados Unidos. Já pelo total de pódios, a ordem foi inversa (112 a 100).
Já foram realizados 32 Olímpiadas, em diversos países. Relacionando eles, o país que sediou mais jogos foram os Estados Unidos com quatro eventos realizados. E o país é maior ganhador de medalhas nos jogos, são mais de dois mil. China não está tão longe desse número. O Brasil sediou o evento pela primeira vez em 2016. Notasse que só “países desenvolvidos” sediam os jogos. A maioria dos países da Europa, junto com os Estados Unidos e Brasil, representando as Américas. Austrália, Coreia do Sul, China e Japão entram nessa lista. Exemplos de Portugal, África, Israel, Argentina, México, dentre outros, nunca sediaram Olímpiadas, mas Pan-Americanos já.
A maior conquista do Brasil em Olímpiadas foi dar destaque às mulheres. Em 2016 209 mulheres entre 465 atletas nos jogos do Rio, um salto muito grande em comparação a Londres e em Los Angeles em 1932, onde só uma mulher estava na delegação brasileira. Sobre medalhas, em Tóquio, as mulheres deram show e ganharam mais medalhas que os homens. No skate, no judo, na vela, nas águas. Elas subiram ao pódio nove vezes nas Olímpidas de 2021, em 2016, no Rio, foram cinco vezes. Outra conquista do Brasil em Olímpidas foi em relação aos números de medalhas, neste ano no Japão, o país bateu o recorde feito em 2016, onde conquistou em casa, 19 medalhas. Em Tóquio foram 21 medalhas, sendo sete de ouro, seis de prata e oito de bronze.
Um dos principais fatos que ocorreram na Olímpiada do Rio em 2016 foi o recorde batido pelo Time Brasil nas medalhas, que foi superado em Tóquio. Além das reformas e construções de arenas esportivas que sediaram as provas e jogos. O Parque Olímpico que é cuidado e aproveitado até hoje, não tanto como deveria, mas é. O Parque Aquático por exemplo, teve suas piscinas removidas e levada para vários estados brasileiros. Outro momento marcante da Rio 2016, foi que na cerimônia de abertura foram dados plantas para serem plantadas, e assim foi criada a Floresta dos Atletas. Demorou o plantio, mas em dezembro de 2019 as mudas finalmente foram plantadas, cerca de 13.724 mudas plantadas no Parque Radical de Deodoro.
Esse foi um lindo legado que a Olímpiada deixou para o país, mas os governantes precisam cuidar, para que dê certo. Sobre as medalhas, o Brasil conquistou 19 medalhas, sendo sete ouros, seis pratas e seis bronzes. Terminando assim na 12 colocação no quadro geral de medalhas. Outros destaques foram as conquistas dos atletas brasileiros. O ouro Olímpico no futebol masculino finalmente veio após as cobranças de pênaltis contra a Alemanha no Maracanã. O ouro incrível do Thiago Braz no salto com vara. A despedida do fenômeno das águas, Michael Phelps, que se aposentou na piscina do Rio de Janeiro. A fenomenal Simone Biles na ginástica. O Isaquias Queiroz, que fez história no Rio, e em Tóquio também, nas provas da Canoagem. Momentos históricos e lindos ocorreram em 2016, e certeza que foram lembrados enquanto aconteciam os Jogos Olímpicos de Tóquio alguns dias atrás.
Apesar do recorde de medalhas batido em Tóquio dos atletas brasileiros, ainda faltam mais investimentos nos atletas para o país virar potência nos esportes. Muitos atletas que participaram dos jogos, fazem parte do bolsa atleta, mas mesmo assim precisam de mais oportunidades, assim como as pessoas que não fazem parte da bolsa. Judô é um esporte tradicional nos jogos e no Brasil, mas vemos atletas nos semáforos pedindo dinheiro para pagar viagens, hospedagem e comida quando precisar ir para outro país ou cidades para competirem. Os jogos de Tóquio trouxeram medalhas inéditas para o Brasil, no judô, skate, surf, maratona aquática, tênis. Sem contar nas participações em outras modalidades esportivas.
Então imagina se os recursos e investimentos fossem feitos da maneira correta aos atletas. Com lugares adequados para treinar, patrocínios e etc. Muitas pessoas falaram sobre esse assunto durante as Olímpiadas na redes sociais. Sobre não haver investimento nos atletas, mas quando eles participam ou ganham medalhas nos jogos, os “poderosos” querem ir lá cumprimentar o atleta e tirar foto. Quero deixar registrado aqui também, sobre as Paralímpiadas. Atletas com deficiências trazem muitas medalhas para o Brasil, mas não são tão reconhecidos por isso e pelos seus feitos. A mídia faz a maior cobertura nas Olímpiadas, tudo passa na TV, sempre tem notícia, tudo ao vivo. Mas nas Paralímpiadas não é assim.
Nos jogos de Tóquio que vão começar dia 24 de agosto, os canais que passaram as Olímpiadas, não vão passar provas das Paralímpiadas ao vivo, não vai ter aquele alvoroço que teve algumas semanas atrás. Acho um desrespeito com os atletas. Falam que não transmitem os jogos pois a audiência é menor e não vale a pena. E isso não acontece só em Jogos Paralímpicos. Em Parapan-Americanos, Jogos Paralímpicos de Inverno também acontece isso. Dão mais ênfase para os Olímpicos desses eventos. E os recursos de atletas paralímpicos também são escassos. Infelizmente a situação é essa, mas parece que para Paris em 2024 isso pode mudar para melhor. O apoio aos atletas pode crescer, e é isso que precisa acontecer.
Foto de capa: COI/Divulgação
